Como na criação de uma estória, um romance ou conto, onde o autor desenvolve suas personagens, apresenta cenários onde desenrola-se a trama e, à vezes (como Saramago atualmente tem feito, por exemplo) sugere ao espectador um interação no desfecho de alguns fatos (que, naturalmente, já foram definidos para o bom termo do referido caso), o esquema de composição Humanotons merece uma análise no sentido musical e literário, de modo que, a maior parte das composições narra fatos quotidianos, pequeninos e despercebidos
à um primeiro momento, até que nos deparamos com a realidade dessas coisas e (quando dá tempo) paramos um minutinho pra pensar.
Assim nasceram canções e temas como “Vício”, “Cidade Grande” e “O Pequeno Príncipe” como algumas outras, onde se valendo de uma liguagem funcional (e poética em algun momentos), os autores imprimem suas impressões e experiências no desenvolvimento das personagens e, num dado momento, estes ganham uma consistência de realidade própria para tomar suas decisões e escolher o rumo de suas estórias.
Esteticamente falando, o “Folk” era uma variação dentro das várias faces da música americana moderna, que nem tem tanto assim de americana e até mesmo moderna, se observados os ingredientes oriundos de outras culturas e regiões que, como também aconteceu no Brasil, agregaram como um novo valor multicultural essas culturas já existentes e como sempre acaba acontecendo na história humana. Países Europeus e Africanos principalmente, imprimiram mais em nosso embasamento musical e até mesmo em modo geral hoje, do que nós podemos imaginar.
Dentre ícones, modismos e grandes artistas que usaram a corrente “Folk” como “porta de entrada” aos ouvidos americanos, ressaltamos Bob Dylan pela maior popularidade e peculiaridade mas não esquecendo que este mesmo se “reinventou”, mudando o seu discurso e, principalmente, o seu som, agradando novos ouvidos e baixando o volume em outros, sendo o que mais se aproximou do nosso contexto de composição literária e musical.
Esses seriam fenômenos difíceis de imaginar nos dados dias atuais como se, por exemplo, um grande artista de expressão popular, consagrado como compositor de canções de amor, de repente, lançasse um disco falando esporte, cinema ou do meio rural.
Vale-nos aqui então o fator plural, na busca da essência humana. Ou seja, aquela canção que se declama quando se está muito feliz, ou ainda, quando ao voltar à um lugar que não vimos há muito tempo, voltam as canções ou vidas ali outrora. Aquele verso que, sem perceber, declamamos ao pequenino filho e, depois, lembrando com mais calma, vemos um ente querido declamando. Assim, podemos arriscar à dizer que a música é uma espécie de “retrato” da alma humana. Nós nos arriscamos à ser “polaróides” nesse difícil exercício - o de captar emoções em forma de sons e palavras.
Desse modo, esquecidos fatores externos, barreiras , preconceitos e rotulagens, poderíamos dizer que a nossa música seria “neo-regionalista” ou ainda, “urbano- regionalista”, não esquecendo apenas que não há regional no urbano dado que o urbano é a junção de vários regionalismos; o ponto de equilíbrio social e cultural.
Etimologicamente olhando, fazemos músicas para seres humanos. Tons Humanos.
Cercados de influências e em constante mutação e interação com o meio que nos cerca, resolvemos juntar alguns acordes, criar alguns versos e soltar os pulmões.
Isso pode não mudar as nossas vidas mas, isso não é mais importante.
O fato é que nós estamos aqui e não iremos passar despercebidos enquanto Os Tempos Estão Mudando.
Até 2 de maio!
Humanotons
Texto por: Juca Braga
abril 21st, 2009 by admin | 1 Comment »